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21 janeiro, 2012

Preciso parar de querer

 

Bem,

Já tentei fugir

Já tentei mentir pra mim mesmo que não

Eu vou conseguir

Falo alto pra me ouvir

Mas volto sempre e dou uma coçadinha aqui e ali

 

Ferida sempre aberta

E eu a reclamar de Ti

Sou eu quem não paro de

 

Coçar as feridas

Me algemar de novo

Logo eu que sou livre

Me pego lembrando

Querendo esquecer

Tentando aprender

Que pra você me curar preciso parar de querer

 

Pra você que, como eu, ainda precisa de cura. Ah, e obrigada, Sidney :P

21 agosto, 2011

Salve o momento

[Foto via]

(…) O terrível segredo, que ninguém parece ter a coragem de encarar, é que o mundo não pode ser salvo de uma só vez. Não há como se varrer a miséria da existência em grandes e eficientes vassouradas. Não há como se pagar alguém para ir salvando o mundo, do modo que se paga o encanador para desentupir o ralo. Salvar o mundo é um serviço sujo que só você pode fazer, ao ritmo de um ínfimo passo de cada vez.

O mundo é salvo em partes. Em partes pequenas.

Souberam-no e sabem-no todos os grandes santos, jesuses, gandhis e são franciscos, e as madres teresas de todas as Calcutás. O único modo verdadeiramente virtuoso de se viver e o único modo eficaz de se salvar o mundo é pelo regime dispendioso, frustrante e tremendamente lento dos microsalvamentos: redimindo-se um momento de cada vez. Um remédio de cada vez. Uma refeição de cada vez. Uma conversa de cada vez. Um abraço de cada vez. Uma caminhada de cada vez. Um cafezinho de cada vez. Um pedido de desculpas de cada vez. Um perdão de cada vez. Um churrasco de cada vez. Uma adoção de cada vez. Uma cura de cada vez. Uma dor de cabeça de cada vez.

Os microsalvamentos não são glamurosos, não são definitivos, não dão manchete e não são recompensadores. Não dão a impressão de trabalho realizado, porque não está. É apenas o começo das dores, e amanhã haverá mais. A pedra que empurramos até o topo hoje terá deslizado invariavelmente o morro amanhã, e amanhã haverá outras.

Não temos infelizmente o chamado ou a capacitação para salvar o amanhã, o que nos pareceria infinitamente mais atraente. Amanhã as coisas podem já ter mudado. Amanhã posso ter dado um jeito de escapar daqui. Minha tarefa, minha impensável tarefa, é salvar este momento, este ridículo, insuportável, irredimível momento.

Alguém pare o momento que quero descer.

Paulo Brabo, via A Bacia das Almas

07 julho, 2011

Eu preciso aprender a só ser


Gilberto Gil por Verônica Ferriani
Sabe, gente
É tanta coisa pra gente saber
O que cantar, como andar, onde ir
O que dizer, o que calar, a quem querer

Sabe, gente
É tanta coisa que eu fico sem jeito
Sou eu sozinha e esse nó no peito
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder

Sabe, gente
Eu sei que no fundo o problema é só da gente
E só do coração dizer não, quando a mente
tenta nos levar pra casa do sofrer

E quando escutar um samba-canção
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só"
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser."

Por mais que se tenha, família, amigos, líderes, pastores, não adianta: há lutas que são, por natureza, solitárias. E cá pra nós, Peniel é mesmo pequeno de mais pra caber mais gente.  Lá, só há lugar para mim, meu travesseiro de pedra e o anjo com quem luto agora. E eu preciso aprender a lidar com essa solidão necessária - necessária, e que se contradiz, uma vez que ela coexiste com a multidão ao redor. E é nessas horas que sou tentada a olhar para fora e tentar agregar barulho ao meu silêncio e romances fora de tempo, como que me privando de terminar uma fase que precisa ser vivida. Quero um nome novo no final. Quero descobrir quem sou – o que cantar, como andar, onde ir, o que dizer, o que calar, a quem querer… Mas até lá, a realidade da canção me envolve: eu preciso aprender a só ser.

26 junho, 2011

Jesus em clima de avivamento

Tumblr_adore
[Foto via]
Em clima de avivamento, você desencosta Jesus e o coloca acima das tradições, da sua cultura, da sua igreja, dos seus títulos, de seu academicismo, de seus mestres, de seus heróis e gurus.
Em clima de avivamento, você enxerga e deixa Jesus no fundamento, no alicerce, na primeira pedra, na pedra angular, sobre a qual se apóiam os profetas e os apóstolos, sobre a qual você também se apóia.
Em clima de avivamento, você caminha com Jesus até a cruz e morre com ele; você sai da cruz e ressuscita com ele; você ouve a voz de Jesus e o segue; você se liga e permanece ligado a ele tão naturalmente como o ramo de uma videira.
Em clima de avivamento, a cortina começa a se levantar, e Jesus aparece bem nítido e bem próximo diante de seus olhos. Você é capaz de enxergá-lo no princípio mais remoto quando ele estava com Deus e era Deus, quando todas as coisas foram feitas por intermédio dele.
Em clima de avivamento e com a cortina levantada, você contempla tanto a humanidade de Jesus quanto a sua divindade. Diante de seus olhos, Jesus é ao mesmo tempo Filho do homem e Filho de Deus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus.
Em clima de avivamento, você é capaz de enxergar Jesus assentado e exaltado à destra do Pai, colocando debaixo de seus pés todos os poderes demoníacos, todas as forças hostis, entre os quais o maior de todos é a morte.
Em clima de avivamento, você se coloca em torno de Jesus Cristo, na certeza de que ele é o centro de tudo, nos céus, na terra e debaixo da terra. A vontade dele passa a prevalecer sobre a sua. Você se nega a si mesmo por causa dele, quantas vezes forem necessárias. Você tem entusiasmo por Jesus e não consegue ficar calado nem com as mãos abanando diante da carência do ser humano e da graça que há em Jesus Cristo.
Essa revolução acontece em clima de avivamento porque é o Espírito da verdade que dá testemunho a respeito da pessoa e obra de Jesus Cristo (Jo 15.26).
Capa Ultimato 315, Novembro – Dezembro 2008.